sábado, 9 de junho de 2012

Rio negro !


Acordei naquele mesmo rio 
olhando para aquele vazio 
escrevendo cartas endereçadas a ninguém 
uma pessoa no meio de tantas 
crendo que seria ali o seu lugar 
não necessitando de ajuda 
queria apenas estar ali contemplando o nada 
olhando para mim mesmo naquele reflexo de um passado atual 
olhos escuros e sem compaixão 
sofrendo pela maldita auto-piedade 
cade aqueles sentimentos que brotavam antes 
com uma sutileza que não parecia possível existir 
tudo não passou de um momento 
e aqui parado percebo cada vez mais 
que o mundo que eu sonhei viver 
não é esse em qual estou 
infelizmente com uma bofetada acordei 
dos meus devaneios de uma manhã 
a escrita tenta sempre me surpreender 
os autores colocam sua alma no que dizem 
eu estou aqui pensando 
cade o meu livro ?
os capítulos perdidos em uma existência artificial   
e tudo o que eu queria era apenas 
devolver tudo o que sinto 
para aquele que se foi 
perdido nesse rio .

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