terça-feira, 4 de março de 2014
O ultimo suspiro (conto)
Estava esperando em mais um dia como aquele, em que fui encontrada toda ensanguentada no chão, o cliente da vez era como qualquer outro, gordo , velho e infeliz, tudo o que eu precisava para ter uma noite com muito lucro, ah esqueci de me apresentar, em minhas noites de serviço me chamo silenciosa. Como ganhei esse apelido ? Foi quando comecei essa vida , de vender agrados, logo no inicio com muita vergonha com toda a situação, o meu primeiro serviço, foi sem emoção , som, suspiro, nem falsos gemidos , e foi assim que construí minha cliente-la já de idade, os mais antigos não gostam de ilusões nem mentiras, estão lá para preencher um vazio que talvez eu até saiba qual é mas de um ponto de vista diferente, porém aquela noite estava para ser a ultima. O meu nome verdadeiro não pretendo revelar afinal de contas posso ser sua amiga da faculdade, colega de trabalho, ou até mesmo uma parente distante, não gosto de misturar os dois mundos então me soltarei apenas nesse pedaço do bolo o mais recheado e menos monótono. O porque de seguir essa vida ? Bem, vamos voltar ao foco e apenas falar o motivo de achar como eu voltaria a situação em que fui espancada e jogada no chão quando era mais nova, estava eu sendo violentada pelo meu padastro e mesmo assim não revelava qualquer sentimento, e por isso fui surrada até ser encontrada por minha irmão cega que me ajudou no dia, mas toda vez que tentava entender o que tinha acontecido eu pedia segredo , para não precisar lembrar, daqueles dedos em minha pele. Virei uma prostituta para aliviar minha dor e isso virou o maior veneno que provei na vida, essa razão tem sentido para você ? Se não tiver tudo bem como puta , não ligo para opiniões, o meu silêncio me salvou de muitas coisas e nele eu me firmei como pessoa. Sempre tive cavaleiros peculiares , o pior de todos era o senhor cara de batata , cada um tem seu apelido de acordo com a sua aparência e o senhor cara de batata , era uma das pessoas mais estranhas que tiveram o meu silêncio como consolo, mas naquela noite ele estava diferente, ofegante e com o mesmo humor cansado, foi logo abaixando as calças querendo executar o serviço , mas naquele sem eu saber seria o meu ultimo trabalho, o senhor cara de batata, tinha uma grade fome e isso as vezes deixava tudo um pouco "peculiar", logo tirando minha roupa e me colocando na cama, ele fez mais um de seus joguinhos e me amarrou , sem expressar emoção nenhuma eu vi cinco homens em volta de mim , ao perceber que um deles era meu padastro , o velho viu minha expressão de surpresa, e se deleitou com o meu horror, eles não queriam me possuir , mas me espancar até meu ultimo suspiro , o motivo nunca soube, mas em cada porrada eu via meu passado, será que todas as pessoas diante a morte revelam seus arrependimentos com flash backs ? No meu caso não foi diferente, e quando eu estava tonta, me veio a lembrança da primeira vez que fui espancada, qual foi o motivo de nunca ter dito nada para ninguém ? Será que as coisas teriam sido diferentes, se eu tivesse procurado ajuda ? Talvez sim , pode ser que tudo tivesse mudado , que a história fosse outra, porém aqui estou eu encarando meu corpo nu, sangrando e gritando de dor enquanto percebo a primeira lágrima sair do meu rosto, aquela que me mostrou que em toda a minha maldita vida , se eu tivesse procurado ajuda , nunca teria sido uma puta, e nunca saberei o que me tornaria.
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